segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Voltamos a apresentar: mágoas.

Aquele frio chato na minha barriga voltou. Especialmente pelas manhãs. Exatamente como acontecia há um ano atrás. Exatamente como aconteceu desde um dia após. Se cada vez que eu sentisse esse frio na barriga você sentisse uma coceira no pé, eu ficaria no mínimo satisfeito. Se me incomoda, tem que te incomodar também, ora essa. Nada justo essa coisa de um lado só sofrer, não acha? Tava bom demais essa história de ter parado de sonhar com você toda noite. Uma amiga me disse que nos sonhos, as almas das pessoas saem dos seus corpos e vão para outro plano, onde se encontram. Então, sempre que você sonha com uma pessoa, significa que a sua alma está em contato com ela nesse outro plano. Acho que ela tinha fumado maconha, mas isso é um detalhe. Me apeguei a essa teoria pra justificar um pouco ao meu coração que não sou apenas eu, o tapado carente que fica sonhando com o que já era. Não há dor, só há lembranças. Talvez - veja bem, sublinhe esse talvez ali - não haja nem saudade. Mas há ainda o gosto de canela. Há ainda o cheiro do seu perfume. Há ainda o eco da sua voz. O final do seu riso. Há a falta de paciência. Há os atrasos. Há tudo e nada ao mesmo tempo e há nossa música. Há uma enorme história não terminada, e sabe lá Deus se um dia será, não é? Mas a sociedade há de se manifestar que sim, há de marchar em plena Avenida Paulista com as caras pintadas a favor da retomada de ciclos abandonados. Porque uma coisa eu te digo, meu velho: eu é que não vou aguentar esse frio na barriga de novo por muito tempo.
Muito menos no meu coração.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Então lembra.

Gosto de ser livre, mas gostaria de ser seu. Somente seu, de ninguém mais. Evito ser tão óbvio, mas é óbvio que eu te amo. Espero nunca precisar de ninguém, mas eu até acho que eu preciso de você. E não preciso pouco não. Chove, não chove, chove. O tempo é tão inconstante quanto as minhas mágoas e a solidão é muito  angustiante quando eu penso em como as coisas poderiam ser... Tô cozinhando. Todo dia. Tô mudando os móveis de lugar e até no quarto da minha mãe eu quis mexer. Consegue ver? É isso que você faz. É muito ócio desperdiçando energia tentando melhorar coisas que já estão boas e que não precisam ser melhoradas, tudo porque eu não canalizo essa falta de você. Meu macarrão tá ficando cada vez melhor. Peguei uma receita de molho branco pra tentar amanhã. A família gosta. Eu só como. Ou não como. Eu estive bebendo durante todos esses finais de semana e uma vez na segunda-feira. Segunda-feira. Não sei onde isso vai parar, mas eu acho que já passou da hora de você lembrar que gosta de mim. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tá ficando meio chato

Sabe, te ver todos os dias, ouvir sua voz todos os dias, sentir seu cheiro todos os dias. Não faz bem, não é certo, não é de Deus. O que eu vou fazer com a sensação pós-recaída? Hoje você estava lá, no ponto de ônibus, fumando seu cigarro - nem lembro mais que marca -  como sempre, perdido em seus pensamentos e em seu déficit de atenção tão característico. Me viu e fingiu que não. Eu te vi e desviei o olhar. Quando começou a chover eu entrei na padaria e comprei meus próprio maço de cigarros. Eu não fumo, mas quem liga? Não poderia ficar com as mãos vazias enquanto você estava ali na minha frente, me fuzilando panoramicamente e ao mesmo tempo absorto no auto-policiamento. Agora você estava debaixo de um guarda-chuva e sentado nas costas do banco. Resolvi dar um oi. Foi patético. Eu mal me aproximei de você, o peito doeu, a dor me congestionou e as lágrimas transbordaram mais rápido do que eu estava esperando. Eu, ainda muito pateticamente, te dei um aceno de mão ao longe, em troca recebi um meio-sorriso da sua parte e antes que você percebesse algo dei as costas e saí andando. Dane-se o ônibus, era melhor ir a pé e enxugar as lágrimas na mão. Nem sempre é esse avanço todo sabe? Dessa vez acho que é porque estávamos sozinhos. Da próxima, dependendo do lugar, vou tentar um abraço. Mas isso é tão incerto, não é? Porque não, eu nem ao menos sei onde vou te encontrar amanhã. Os meus sonhos nunca são repetidos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Custo x Benefício

A verdade é que eu precisava de umas técnicas boas pra neutralizar meu amor por você do mesmo jeito que aqueles espiões secretos em Chuck neutralizam seus inimigos com um golpe só. O problema é que esse golpe não existe, pelo menos pra mim. Ou se existir significa sacrificar muito mais coisas das quais eu estou disposto a sacrificar no momento. Custo x benefício. Acho esse um preço caro demais e você não vale a pena, embora eu saiba que nada é caro quando satisfaz nossas necessidades. Uma vez um velho me disse "Bernardo, meu jovem, primeiro leve em conta os custos para só então pensar nos benefícios; se o custo for alto, nem pense nos benefícios. Nesse mundo existem outras situações em que até mesmo sendo de graça já é caro demais." Então pra te esquecer eu teria que  renunciar partes de mim mesmo pra alcançar essa assim-chamada "paz" e renunciar momentos onde eu me senti pleno e amado, mesmo que iludido. Não, na verdade nunca achei de fato que tenha sido ilusão. É lógico que é mais complicado que isso. Seria tão mais fácil ter um golpe. Antes de te acertar te beijaria e te diria aquela mesma frase que eu te disse no dia que tomamos banho de chuva com as roupas do casamento da sua prima. Aquela frase que eu guardo só pra mim. E então, e só então, te daria um golpe certeiro pra te neutralizar e provar que quem manda no meu coração sou eu.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tira-gosto.

Na frigideira, bolinhos de chuva. Eu que fiz e agora tô fritando com cuidado, pra não deixar queimar. Parei um pouco de pensar na sujeira que eu fiz enquanto preparava a massa e em toda a bagunça na cozinha pra pensar um pouquinho em você. Pois é, lembrei de você. Eu lembro de você o tempo todo, seja fazendo bolinhos de chuva, seja cantando no chuveiro ou atendendo clientes mau humorados no escritório. Lembro de você quando vou ao supermercado e vejo aquela garrafa com líquido azul na sessão de bebidas. Ou quando peço batata-frita sem maionese. Quando eu vejo aquele seriado da Miley Cyrus que você, sabe lá Deus como, adorava e quando eu tô no shopping e passo por aquelas máquinas de brindes automáticos. Foram muitas moedas naquele dia. Acho que coloquei óleo demais nessa frigideira e os bolinhos de chuva estão ficando encharcados e muito muito muito gordurosos. Deu errado. Ou talvez o problema não seja o óleo, seja o tempo de fritura. Esse óleo aqui é a medida certa. Os bolinhas mergulham e fritam, nadando, nadando, nadando. Eu poderia fritar seu coração assim. Aham, eu poderia. Ele daria os últimos espasmos assim que eu o afogasse no óleo quente e o pressionasse com a escumadeira lá no fundo da panela. Depois ele daria cambalhotas no óleo enquanto eu cantava Fake Plastic Trees do Radiohead. And it wears me out, it wears me out, it wears me out...Não, eu não o comeria. Não gosto de carne vermelha, quanto mais do seu coração. Eu odeio seu coração. Eu o deixaria fritar até queimar (não só ficar engordurado e encharcado, até queimar). Nadando, nadando, nadando no óleo quente. Deu errado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Com um pé em dois mil e doze.


Tá fazendo aniversário já. Daqui a pouco faz dez anos e a gente nem vê, né? Não foi planejado, nem por você e muito menos por mim. Alias, pra mim foi uma surpresa terrível. O fato é que você sempre se adaptou melhor a essas variações de vida e morte. Lógico que você já não tá mais nem aí e lógico que eu ainda estou chateado. Deu trabalho, sabe? Queimei um montão de coisas e fiz uma faxina completa (inclui todas aquelas caixas debaixo da cama). Passei horas secando o chão do quarto com um paninho que absorvia cada lágrima   com a mesma indiferença que você as deixou cair. Nisso, eu fiquei jurando que nunca mais pensaria em você, mas olha eu aqui: Com um pé em dois mil e doze e ainda dormindo com a tartaruga que você me deu naquela viagem pro interior. Vamos ser francos, a tartaruga é feia. Mesmo assim eu gosto dela e eu quase gosto de você. Talvez, só talvez, um dia a gente se reencontre num vagão de metrô qualquer , divida alguns guarda-chuvinhas de chocolate ou quem sabe um tic-tac e fazemos o trajeto analisando o passado e planejando o  nosso futuro. Eu poderia nem mais lembrar da sua voz se não fosse as gravações que eu tenho das suas ligações no meu celular.  

Falando nisso, eu ainda tenho o ultimo sms seu. Mas deixa pra lá, é por pouco tempo. O celular tá quase pifando só pra acompanhar meu coração e eu vou perder todos os arquivos com a mesma velocidade que eu te perdi. Que você me perdeu. Que nos perdemos um do outro.

Já faz onze meses. Tá fazendo aniversário já. Daqui a pouco faz dez anos e a gente nem vê, né? Sabe, eu tava aqui pensando... você tava usando a minha camiseta verde quando eu te vi pela ultima vez. E eu fiquei com o moletom do seu irmão. Essa pode ser uma ótima desculpa pra gente combinar de se encontrar no dia seguinte. No mesmo horário, no mesmo vagão, na mesma estação. Pra devolvermos as roupas (e o nosso amor).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A música sem dono.

De vez em quando eu fico cantarolando a música que eu fiz pra você. Principalmente no chuveiro. Não parece mais que ela foi feita pra você. Porque ela realmente não foi feita pra você, foi feita para o que eu achava que você era. Daí como eu gostei tanto da letra eu declarei que ela não é mais sua, nem minha, nem de ninguém. Ninguém é do jeito que eu escrevi na música, embora eu achasse cegamente que o mundo fosse capaz de dar lugar a uma pessoa daquelas. É tudo um erro só, sabe? Em várias fases e no efeito dominó. É claro que existem músicas que eu fiz pra você, outras músicas que refletem melhor tudo que você se revelou.  Muito mais fiel a pessoa que você é do que a adorável máscara que você sempre vestiu. Ah, não, você não iria gostar de ler e então, por favor, não invente de entrar no meu quarto e revirar a ultima gaveta do lado esquerdo procurando meu caderninho de capa azul pra abrir exatamente a partir da página 37. Você se surpreenderia verdadeiramente (você é capaz de expressar alguma coisa verdadeiramente?) com os níveis de decepção que você me causou e como eu berrei isso usando minha compactor preta. Essas eu não canto no chuveiro, essas ficam ali, sufocadas. Assim como tudo de bom que eu, involuntariamente, ainda penso de você. Por isso eu prefiro cantar a música positiva, aquela sem dono, seja ela pra quem quer que tenha sido escrita.

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